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31 agosto, 2011

Brasileiros querem conhecer mais da milenar cerveja



Aumenta a busca do consumidor por produtos e informação de qualidade no mercado cervejeiro; vendas de cervejas especiais crescem 24% em dois anos

A História comprova que o homem é apreciador da cerveja desde a Antiguidade. Cerca de seis mil anos atrás, a produção já era relativamente variada entre sumérios, egípcios e babilônios. Depois de tantos séculos, a bebida ganhou o mundo, adaptou-se às mais variadas culturas e se sofisticou. O Brasil tem contato com a cerveja desde o período imperial. Com a abertura dos portos, promovida em 1808 por Dom João VI, os navios britânicos passaram a abastecer o país com o produto. Muitos anos depois, a indústria desenvolveu-se graças às técnicas trazidas por imigrantes europeus. Na última década, contudo, o país parece viver uma nova experiência de abertura, desta vez proporcionada pelo desenvolvimento econômico. Elevadas taxas de crescimento do emprego e da renda, somadas à valorização do real ante o dólar, criaram condições ideais para que marcas se multiplicassem no país, cervejarias artesanais ganhassem espaço e importações subissem.

Com mais opções e dinheiro no bolso, o brasileiro passou a investir na busca por conhecimento e informação sobre cervejas de melhor qualidade. Dados da consultoria Nielsen apontam que foram consumidos no ano passado 105 milhões de litros de cerveja da categoria super premium – que custam cerca de 50% a mais que a média de preço da categoria. O volume representou uma elevação de 24% ante 2008, sendo que o consumo da cerveja comum teve avanço de 16% em igual período. A diferença de ritmo explica-se pelo fenômeno da migração. “Cada vez mais pessoas migram das cervejas mais comuns e buscam as especiais”, disse Cilene Saorin, sommelier de cervejas. “O prazer está em degustar com informação”, emendou.

Paulatinamente aumenta a procura por escolhas mais refinadas, com preços que podem variar de pouco mais de 10 reais a até 700 reais. A cerveja especial vive um momento tão bom no país que outros negócios correlacionados proliferam. O empresário Marcelo Ponci, por exemplo, lançou em 2009 a loja virtual Cerveja Gourmet, dedicada ao produto, e rapidamente prosperou. Hoje, a companhia conta com showroom, fiel clientela e uma agenda cheia de eventos corporativos para atender. “É crescente o número de pedidos para montar degustações e harmonizações com comidas. O mercado está muito dinâmico, longe de estar consolidado”, conta Ponci, que trabalha com mais de 300 rótulos no momento.

Outro fenômeno ligado a este processo de sofisticação do mercado é o recente aparecimento de cursos de especialização em cerveja e no varejo deste tipo de produto. O Centro de Tecnologia de Alimentos e Bebidas (CTS) da unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Vassouras, no estado do Rio de Janeiro, pretende começar em breve o primeiro curso de pós-graduação em mestre cervejeiro. Já em São Paulo, a Escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) ministra, desde o ano passado, o curso de Formação de Sommeliers de Cervejas, em parceria com a Doemens Academy – escola de formação de mestres cervejeiros, com sede em Munique, na Alemanha. São 100 horas-aulas para uma turma de, no máximo, 40 pessoas, com custo em torno de 1.600 reais. A próxima turma será aberta na unidade de São José dos Campos, no interior paulista.

Sem rivalidade

Até mesmo a Associação Brasileira de Sommeliers (ABS), antes dedicada exclusivamente aos vinhos, oferece formação de sommelier de cerveja. Cerca de 200 profissionais graduaram-se na seção paulista da entidade desde agosto do ano passado, quando o curso passou a ser oferecido. Apesar de as comparações serem inevitáveis, os especialistas recusam-se a entrar no campo da rivalidade. “Há espaço para todos. A ABS, por exemplo, por mais que continue bastante associada ao vinho, promove degustações muito interessantes de outros produtos, como cerveja, uísque e café”, contou Estacio Rodrigues, coordenador do curso de cervejas da ABS.


Rodrigo Martins (Restaurante Vino!)

Começamos com as cervejas no início do ano e descobrimos um faturamento extra”, conta Rodrigo Martins (foto acima), um dos sócios do Vino!, misto de loja e restaurante localizado em São Paulo. Desde sua abertura, em 2007, a casa apresentava somente vinhos – cerca de 750 rótulos. Agora, há uma prateleira repleta de cervejas, com mais de 50 rótulos. “Algumas mesas antes só consumiam uma garrafa de vinho. Agora, vemos que também pedem três, quatro garrafas de cerveja”, comemora. O empresário conta que os vinhos tintos não perderam espaço. A cerveja tomou o lugar que o vinho branco e os espumantes nunca chegaram a ocupar, por uma questão de hábito da população.

No ano passado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que a compra anual per capita de cerveja subiu 23% no período 2008-2009 em relação ao biênio 2002-2003. De acordo com o órgão, cada cidadão consumiu, em média, 5,6 litros de cerveja por ano, um litro a mais que no período anterior de comparação. Curiosamente, a mesma pesquisa mostrou que o popularíssimo prato de arroz e feijão teve queda na demanda. As quantidades consumidas destes grãos recuaram, respectivamente, 40,5% e 26,4% no mesmo período. A simples comparação pode não revelar muita coisa, mas oferece um sinal: de que o brasileiro gosta mesmo daquilo que é bom e sofisticado.

Texto: Veja Economia

24 junho, 2011

Degustação e Hamonização de Cervejas Artesanais Brasileiras

Para difundir cada vez mais o mundo das Cervejas Artesanais Brasileiras, o Cerveja Gourmet organiza eventos de degustação e harmonização na Vila Romana.
A próxima degustação acontece no dia 02 de julho ministrada por Marcelo Ponci e Guilherme Balbin. As cervejas artesanais degustadas serão: Magnus Pilsen, Divina Weiss, Saint Bier Belgian Golden Ale, Bierland Imperial Stout e Eisenbahn Lust.

Para confirmar sua presença, entre aqui.

11 março, 2011

Mulheres no mundo das Cervejas Especiais


"Depois de dar o treinamento, sempre faço a pergunta: Quem de vocês, ao me ver sentada em uma mesa de bar, pensaria que eu entendo de cerveja? E, então, vem a confirmação: ninguém". Kathia Zanatta é biersommelière, formada pela escola alemã Doemens Akademie e, hoje, ministra treinamentos para brigadas de bares e restaurantes e cursos de Sommelier de Cerveja na ABS (Associação Brasileira de Sommeliers).

"Parece clichê, mas muitas pessoas que vão para uma palestra sobre cervejas, esperam que o palestrante seja um homem barrigudo e de cabelos brancos. Então, apareço eu: mulher, jovem e sem barriga", explica Kathia, quebrando todos os paradigmas. "É a prova de que mulheres conhecem sobre cervejas e que cerveja, na dose certa, não engorda".

De acordo com o dono do e-commerce Cerveja Gourmet, Marcelo Ponci, "mesmo que ainda não na mesma proporção de homens, é crescente o número de mulheres que entendem e gostam de beber. Assim como é grande o número de homens que não sabem distinguir uma Kaiser de uma Bohemia".

O espaço delas

A loja virtual é especializada em cervejas importadas, artesanais e especiais. E é justamente nesse meio que Marcelo acredita que as mulheres se destacam e conquistam seu espaço. "Nosso público alvo não são os bebedores, mas sim, os apreciadores. E nesse universo, as mulheres se encaixam e vão cada vez mais conquistar espaço como experts", destaca.

O público feminino do site é de cerca de 400 mulheres, o que representa 25% a 35% dos usuários ativos cadastrados. As consumidoras costumam adquirir kits para presentes, e as cervejas mais leves – como Pilsner (de R$ 9,95 a R$ 17) e Weizen (R$ 7,8 a R$ 15,47) – e aquelas mais adocicadas – como as Fruitbiers, que têm frutas em sua composição.

Já na rede de quiosques Mr. Beer Cervejas, as mais vendidas para mulheres são a Weihenstephaner (cerveja de trigo com tons adocicado que lembram banana e cravo), por R$ 16,90, a Wells Waggle Dance (tem um rico sabor de mel), por R$ 31,90, e a Floris Kriek (muito perfumada e com sabor de cereja), por R$ 39,90.

Só para mulheres

Apesar de o Brasil destinar as propagandas das cervejas comerciais aos homens, existem cervejarias em países da Europa que lançam produtos exclusivamente para as mulheres. "Não significa que homens não podem beber", explica Kathia.

Um dos exemplos de sucesso é a Eve, da suíça Carlsberg. "Na verdade, é uma bebida mista de cerveja e suco de frutas, com baixo amargor e calorias, servidas em taças tipo flute, como uma champanhe", descreve. O site www.cardinal-eve.ch transmite bem o marketing utilizado.

Ela experimentou essa cerveja nos sabores lichia e maracujá. "Na minha opinião, é realmente ideal para as mulheres que não gostam de cerveja, mas querem acompanhar os amigos ou beber algo saboroso com estilo e preço acessível", avalia.

Cerveja doce

De forma geral, o paladar das mulheres aprecia as cervejas mais adocicadas, explica Kathia, e rejeita o gosto amargo mais do que os homens.

As cervejas de trigo alemã (Weizenbier) e belga (Witbier) são exemplos de bebidas com notas mais frutais e suavemente adocicadas. "A Weizenbier traz aromas que remetem principalmente à banana e especiarias como o cravo. A Witbier é sutilmente cítrica, em função da adição de cascas de laranja na sua composição", detalha a biersommelière.

Ainda há cervejas que trazem notas caramelizadas, amadeiradas, adocicadas ou o próprio teor alcoólico se sobressai ao amargor do lúpulo, como os tipos Old Ales, Brown Ales e Strong Ales.

"Só não podemos esquecer que toda regra tem sua exceção", pondera Kathia, "e algumas mulheres também gostam de estilos mais amargos". Além disso, os gostos se aprimoram com o tempo e com novas experiências sensoriais, o que faz com que elas encontrem seus próprios estilos e rótulos prediletos.

Cerveja com doce

Para as mulheres que não abrem mão de um doce, existem cervejas que armonizam muito bem com os mais variados pratos. "Com a combinação correta, cerveja fica maravilhosa com sobremesa", provoca Kathia.

Entre os exemplos citados pela especialista, estão:

- Trufas de chocolate com cerveja tipo Belgian Strong Dark Ale.
- Sorvete de creme com raspas de chocolate meio amargo e cervejas tipo Imperial Stout e Stout.
- Torta de damasco ou damascos secos com cerveja tipo Belgian Tripel.


Fonte

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