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26 outubro, 2021

Bem Belga organiza viagem cervejeira para Bélgica em 2022 com especialistas do mercado nacional


A empresa Bem Belga organizou um roteiro que vai reunir o melhor da Bélgica, visitando bares e cervejarias icônicas e finalizando o passeio em um dos maiores eventos cervejeiros do ano: o Toer de Geuze.

Bélgica é comida, cerveja e a combinação dos dois. Tem acidez, dulçor e amargor divididos em diferentes estilos de cerveja. Explorar estilos, cervejarias, bares, restaurantes é a proposta desse roteiro. Tem trapista, lambic, flanders, strong ale, blond, saison e muito mais. Uma imersão na cultura e na diversidade cervejeira belga.

Roteiro com especialistas:

Daiane Colla e Fernanda Meybom são especialistas na bebida e em suas quatro viagens à Bélgica, rodaram o país e selecionaram os melhores bares, restaurantes, abadias e cervejarias para compartilhar essa experiência. Elas se uniram a Daniella Garcia, brasileira, com 18 anos de Bélgica e CEO da BemBelga.

Daniella Garcia, ​Daiane Colla e ​Fernanda Meybom

O roteiro de 9 dias inclui:

- Participação de 2 dias no Toer de Gueuze 2022
- Visitação guiada aos principais bares de Bruxelas
- Visitação guiada pela Cantillon, Boostels, St.Bernardus, De Halve Maan, Rodenbach, La Trappe e Duvel
- Visitas aos cafés das abadias de Westvleteren, La Trappe, Westmalle, In de verzekering tegen het grote dorst e Kulminator
- Alimentações - almoços e jantares harmonizados na St.Bernardus, De Halve Maan, Rodenbach, La Trappe, Het Anker e De Koninck.

Valores:
Quarto duplo: UR 2.557,00 (por pessoa)
Quarto individual: EUR 3.097,00 (por pessoa)

As vagas são limitadas (15 no total), entre aqui e garanta seu lugar!

18 dezembro, 2018

Livro "Radical Brewing" ganha edição inédita em português e será lançado hoje em São Paulo


O livro "Radical Brewing", é uma daquelas referências bibliográficas que escuto falar desde que comecei efetivamente no meio cervejeiro. Finalmente ele foi traduzido para a língua portuguesa pela Editora Krater e será lançado hoje (18/12), em São Paulo.
É um livro sobre cerveja como nenhum outro e representa a paixão e vitalidade que fazem da cena cervejeira dos EUA uma referência para o mundo todo. A edição é fruto da mente criativa e de incansáveis pesquisas do autor Randy Mosher, e que na edição nacional ainda recebeu apresentações especiais de Cilene Saorin e Paulo Schiaveto, sem esquecer claro do prefácio original, escrito por Michael Jackson - Beer Hunter!

Randy Mosher

Randy Mosher é um dos personagens chave na história recente da cena cervejeira dos Estados Unidos. Além de designer e escritor, já contribuiu com praticamente todas as publicações especializadas em cerveja dos EUA, é professor no Siebel Institute, e líder ativo em diversas organizações cervejeiras como a Chicago Beer Society e American Homebrewers Association.

Não deixe de ler uma ótima entrevista, dividida em duas partes, feita pela Fernanda Meybom, para o All Beers com o escritor Randy Mosher.
Parte 1
Parte 2

O livro já está disponível no site da editora, e em breve poderá ser encontrado em lojas especializadas por todo país.


LANÇAMENTO EM SÃO PAULO/SP
O livro será lançado em São Paulo/SP no dia 18/12, às 19h30, na Sinnatrah Cervejaria-Escola (Av. Pompeia, 2021). Rodrigo Louro, mestre cervejeiro da Mea Culpa, conduzirá uma palestra especial sobre Técnicas e Insumos Alternativos. Os ingressos custam R$ 99, com a participação na palestra e o livro inclusos. Inscrições pelo site da Sinnatrah.

20 julho, 2017

Central dos Colaboradores/Colunistas


Espaço atualizado com as novidades dos colaboradores e colunistas do All Beers.

:: Rafaela De Conti
:: Marina Milani
:: Bruna Garcia

:: Debs Dezotti
:: Avelar Jr
(Estados Unidos)
:: Paulo Gomes (Holanda)
:: Linus de Paoli (Alemanha)
:: Tassia Roza
:: Juliana Laureano
:: Mari Ramos (Escócia)
:: Débora Gadelha (Canadá)
:: Mari Marques
:: Paulla Caruso

Colunistas que já passaram pelo All Beers:

:: Fernanda Meybom

:: Carolina Oda
:: Camilla Demario
:: Larissa Simon
:: Paula Yunes (Bélgica)

:: Priscilla Colares


Todas ideias e textos publicados pelos colaboradores/colunistas no All Beers são de total responsabilidade do(s) autor(es), e não refletem necessariamente a opinião do blog e do editor.

15 setembro, 2016

Fernanda Meybom: Coluna 17 - Que tal trocar os vinhos pela Cerveja em Santiago do Chile?! – Parte II

Continuando nosso roteiro cervejeiro no Chile! Perdeu o primeiro post?! Então entre aqui.

Visita a Cervejaria Tubinger


Em Janeiro de 2007 o alemão radicado chileno Christoph Flaskamp fundou a cervejaria Tubinger. A cervejaria fica localizada na cidade de Pirque, distante 37 km do centro de Santiago. Christoph, que morou no Brasil alguns anos e fala um perfeito português, nos recebeu e com muita simpatia e apresentou a sua cervejaria.


Atualmente a planta produz 30.000 litros por mês e suas cervejas já foram premiadas em diversos concursos nacionais e internacionais. Outro grande destaque vai para sua localização, a vista do biergarten da cervejaria é a bela Cordilheira dos Andes. Degustar uma boa cerveja naquele visual foi incrível! Vale muito a visita!


Serviço
Calle Nueva s/n, Parcela 6A. El Principal, Pirque, Chile. http://www.cerveceriaprincipal.cl/lacerveceria.php

Mais locais para incluir no seu roteiro:

- Mercado Central: destaque para os frutos do mar.
Endereço: San Pablo, 967

- Beervana – Paraíso de Cerveza: Loja de cervejas nacionais e importadas e produtos cervejeiros. Excelente local para compras e os preços são bem mais amigáveis do que no Brasil, devido ao imposto bem mais baixo.
Endereço: Los Leones 106, Providencia, Región Metropolitana, Chile
http://beervana.bootic.net/

- Cervezas Granizo: Cervejas premiadas, sendo eleita a melhor cerveja da Copa de Cervejas da América edição 2015. Outro destaque, é a localização da cervejaria, em volta do Parque Nacional La Campana, um local paradisíaco!
Endereço:  Los Perales 2601. Olmué, V Región. Chile.
http://www.cervezasgranizo.com/index.php


- Flannery’s Irish Geo Pub
Endereço: Encomenderos 83, las Condes.
http://www.flannerys.cl/

- Amadeus pizza e cerveja

Endereço: Bustamante 50, Providencia.
http://www.amadeuspizza.cl/

- Barbudo Beer Garden

Endereço: Jorge Washington 176, Ñuñoa.
http://www.barbudo.cl/

- Mossto BrewFood

Endereço: Condell 1460, Providencia.
http://www.mossto.cl/


- LOOM BrewPub: O melhor hamburger da cidade acompanhadas de belas cervejas do lugar e outras cervejarias locais. Excelente Pub.
Endereço: Bellavista 0360, Providencia (equina Punta Arenas).
http://www.loom.cl/

- Cervejaria Szot

Endereço: Camino Melipilla 7061, Talagante
http://szot.cl/

- Cervejaria Kunstmann
Endereço: Casilla 1441 · Valdivia-Camino Niebla, Chile
http://www.cerveza-kunstmann.cl/

Salud!
Fernanda.
*Artigo modificado do original publicado na Revista Beer Brasil. http://www.revistabeerbrasil.com.br/

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16 agosto, 2016

Fernanda Meybom: Coluna 16 - ELA, a Cerveja!


Basicamente, a CervejA é feita com 4 ingredientes: malte de CevadA, ÁguA, LevedurA e Lúpulo. Quase tudo no feminino. Ah, mas espera aí, a planta do lúpulo é macho e fêmea, advinha qual é usada na cerveja?! Sim, a fêmea. O próprio nome Cerveja, dizem os historiadores, teve origem das palavras Cervisia ou Cerevisia, uma homenagem a Deusa da Fertilidade e Colheita, Ceres. Historicamente também, a cerveja era considerada uma atividade das mulheres, desde sua possível origem a quase 10000 anos A.C. De lá pra cá, em toda a evolução da humanidade, além de cuidar da família, a mulher também tinha obrigação de fazer a cerveja, que era considerada um alimento – parte da dieta da família. Em alguns casos, a única bebida permitida para consumo quando não se tinha certeza da potabilidade da água.

Com o advento da Revolução Industrial, a mulher  aos poucos deixou de ter seu papel importante na produção de cervejas. Viramos coadjuvantes. Em alguns marcantes momentos da história, chegamos inclusive a ser contrárias ao consumo de bebidas alcoólicas. Sejam por motivos religiosos ou por excessos ou por violência de quem as consumia. Independente de fato negativo ou positivo, sempre estivemos lá questionando e opinando na produção e consumo de cervejas.
Em um determinado momento, assumimos um novo destaque com a cerveja, de coadjuvante viramos estrelas! Nossos belos sorrisos e corpos anunciando simpaticamente que você deve beber cerveja, “veja como sou bonita e simpática e beba cerveja”. E tudo isso, nos leva a pensar em qual produto esta sendo vendido, a imagem de uma bela mulher ou a cerveja?! Não achamos isso justo. Não acreditamos que seja correto. Nesse ponto, por alguma razão cultural do mundo moderno a cerveja se tornou a bebida dos homens. “Cerveja é coisa de homem”. Porém, acreditamos que se os homens gostassem tanto de cerveja como nós mulheres gostamos, a cerveja seria sempre o destaque, a grande estrela publicitária, sem apelos sexistas para seu consumo, seria simplesmente ELA, a Cerveja.

Nós não queremos tomar o lugar dELA, nós não queremos que os homens deixem de atuar numa atividade que quase sempre foi da mulher, nós só queremos que ELA, a Cerveja, seja o destaque. ELA não é uma cerveja só para ela aliás, NÃO EXISTE cerveja para mulheres, pois mulheres que amam cerveja, querem degustar tipos diferentes de cerveja e não somente uma cerveja específica.
Mulheres consomem cerveja, Mulheres gostam de cerveja, Mulheres produzem cerveja, Mulheres avaliam cerveja, Mulheres trabalham com cerveja. ELA sim, é a estrela! Não subjugue ELA, não tenha preconceito com ELA, a Cerveja merece seu destaque, com RESPEITO e MODERAÇÃO.
ELA - uma cerveja pensada e produzida por ELAS.

Nas redes sociais:
Facebook.com/cervejaporelas            
instagram: @cervejaporelas
Por favor, não apareça no nosso tumblr: http://cervejaporelas.tumblr.com/


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26 julho, 2016

Fernanda Meybom: Coluna 15 - Que tal trocar os vinhos pela Cerveja em Santiago do Chile?! – Parte I

O Chile, assim como o Brasil, também esta vivendo a sua Revolução na Cerveja Artesanal. Claro que quando pensamos em uma viagem para o lado de lá da Cordilheira dos Andes, logo imaginamos uma lista de incríveis vinícolas para visitarmos. E não é a toa, o Chile é famoso pelos seus deliciosos vinhos, porém agora esta chamando a atenção também pelas suas deliciosas cervejas!


Minha última visita ao território chileno foi totalmente cervejeira, mal cheguei perto dos vinhos e fui a trabalho. Participei como jurada na Copa Cervezas de America e passei 3 dias avaliando cervejas. A Copa de Cervejas da América é um concurso com cervejas dos países do continente americano e que foi criada em 2011, sendo que hoje já é considerada um dos maiores concursos cervejeiros da América Latina. Este ano, os eventos estão previstos para acontecerem entre os dias 26 de setembro e 1º de outubro. Informações: www.copacervezasdeamerica.com


Aproveitando os períodos de folga nos dias de trabalho, visitei alguns lugares cervejeiros de destaque entre Cervejarias, Brewpubs, bares e restaurantes.

Visita a Cervejaria Kross


A convite da Weyermann® Maltes Especiais fui visitar a Cervejaria Kross que fica localizada na cidade de Curacaví, próximo a Santiago do Chile e no caminho para Valparaíso, uma bela cidade no litoral chileno. Na Cervejaria fomos recebidos pelo Sócio-proprietário e Mestre Cervejeiro, Asbjorn Gerlach. O mestre cervejeiro de origem alemã começou sua história no Chile como produtor de cervejas caseiras. Logo surgiu a oportunidade de produzir para alguns bares e restaurantes da cidade. José Tomás, frequentador de um destes bares, provou a cerveja do estilo Stout de Asbjorn. Gostou bastante e decidiu procurá-lo. Em uma rápida conversa, Asbjorn e José não só se tornaram amigos como também sócios de um empreendimento cervejeiro. E assim, em um bate-papo, foi que no ano de 2003, surgiu a Kross e claro, a primeira cerveja produzida foi a Kross Stout.


A cervejaria tem um bar onde é possível comprar as cervejas para degusta-las no local ou leva-las pra casa. Outra coisa legal, é que neste bar tem uma loja com diversos produtos, inclusive camisetas femininas, algo bem difícil de achar no Brasil.


A Kross se orgulha em trabalhar somente com produtos de qualidade e não utiliza aditivos químicos em suas cervejas. Também não são pasteurizadas, um dos motivos pelos quais a cerveja não é exportada ao Brasil, infelizmente. Aliás, a preocupação com a qualidade é bem grande. Tanto que tivemos que colocar touca, máscara, jaleco e protetor de sapato para poder realizar a visita dentro da cervejaria.


Além da Kross Stout, outras cervejas são obrigatórias na sua degustação: a Kross 5 feita com 5 tipos de malte e 5 tipos de lúpulos, maturada em barril de carvalho americano e é campeã de vendas da cervejaria; e a Kross Kuad uma quadrupel que matura por 6 meses em barril de Camenére, famosa uva cultivada no Chile.


Para visitar a cervejaria é importante entrar em contato antes e verificar a disponibilidade e agendamento.

Serviço
Camino El Toro, km 6.5 s/n Curacaví.
http://www.kross.cl/


No próximo post mais dicas de lugares para visitar.
Salud!
Fernanda.
*Artigo modificado do original publicado na Revista Beer Brasil. http://www.revistabeerbrasil.com.br/

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06 junho, 2016

Fernanda Meybom: Coluna 14 - Cookies de Cerveja


Se vocês ficaram animados com a receita dos Cupcakes de Cerveja publicada aqui, agora vamos a próxima receita: Cookies de Cerveja!

Segue a receita:
Ingredientes:
2 ovos
80g de manteiga sem sal em temperatura ambiente
140g de açúcar
50g de cacau em pó
½ colher de chá de sal
200g de chocolate meio amargo
150g de farinha de trigo
1 colher de chá de fermento
2/3 xícara de cerveja do estilo Quadrupel ou Belgian Strong Dark Ale
Infinitas gotas de chocolate ;-)

Procedimento:
Misture a manteiga com o açúcar. Acrescente um ovo por vez e misture. Adicione o cacau e o sal e misture novamente. Acrescente a farinha e o fermento e misture bem. Derreta o chocolate meio amargo em banho maria ou no microondas e acrescente à mistura. Adicione a cerveja aos poucos e misturando sempre. Por último, acrescente quantas gotas de chocolate você quiser, afinal, quem não tem trauma de cookies com uma ou duas gotas de chocolate, né?!  Coloco a massa na geladeira por 10 minutos e depois faça bolinhas com ajuda de uma colherinha de chá. Coloque numa forma antiaderente com espaço de 2 dedos entre cada bolinha de massa e deixe no forno pré-aquecido a 180ºC por no máximo 12 minutos.

Saúde e Bom Apetite!

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20 novembro, 2015

Fernanda Meybom: Coluna 13 - Entrevista com Randy Mosher - Parte 2



Randy Mosher já confirmou presença no Mondial de La Bière que acontece até o dia 22 de novembro na cidade do Rio de Janeiro.
Segue aqui a segunda parte da entrevista com essa queridíssima figura do universo cervejeiro! Para ler a primeira parte, entre aqui.

Quantos livros você já publicou?
Contando os dois livros que lancei este ano, 6 livros. (Disponíveis: Brewer’s Companion, Radical Brewing, Tasting Beer, Mastering Homebrewing e Beer for All Seasons.)

Você mesmo faz o design gráfico em seus livros?
Sim e não. Nos livros Brewer's Companion e Radical Brewing, sim. Com Tasting Beer e Mastering Homebrew, enviei aos editores vários gráficos, além de imagens de rótulos antigos e outras ilustrações e também fotos. Com Mastering (Homebrew), a editora gastou todo o seu orçamento de design antes mesmo de finalizar o livro, então eu tive a permissão para complementar esta parte, com a criação de mais de 250 novas fotos e outros elementos gráficos que deram ao livro muito mais vida. De agora em diante, farei o design completo de todos os meus livros.

Você lançou dois livros no início do ano: Mastering Homebrew e Beer for All Seasons. Você pode falar um pouco sobre o Beer for All Seasons?
O livro é da mesma editora do Tasting Beer que tem sido um livro de grande sucesso até os dias atuais. Por este motivo, a editora buscava um novo projeto para mim. Eles me apresentaram esta ideia a qual pensei que poderia ser divertida e ao mesmo tempo educativa. O Beer for All Seasons é um livro menor, que pode ser um presente ou uma compra despretensiosa na livraria e que de alguma forma, pode servir para as pessoas como uma porta de entrada no mundo da cerveja.

No meu caso, eu realmente gosto de beber cervejas sazonais.  Agora, por exemplo, é época para uma Doppelbock (Nota: Randy vive em Chicago e apesar de ser outono já está bem frio por lá), mas ao mesmo tempo estou ansioso para um clima quente o suficiente para sentar e apreciar uma Maibock, e depois, mais tarde, uma Hefeweizen. O livro descreve alguns dos padrões históricos de cervejas sazonais e as razões por trás de cada uma delas, fazendo uma expedição pelas estações do ano, explorando os estilos de cerveja clássicos de cada época. Isto inclui ainda, relação dos Festivais de Cervejas, Beer Weeks e muitas listas divertidas como: Cervejas para agradar a sua mãe no Dia das Mães; Excelentes cervejas para “cortadores de grama” (cervejas mais leves para o verão); Cervejas para substituir o Champanhe nas festas de Ano Novo; ou ainda, quais cervejas servir para as senhoras do Garden Club em uma visita na sua residência.

Ao longo do livro, você ainda irá encontrar algumas dicas úteis do tipo, Como aproveitar o melhor de um Festival de Cerveja, algumas ideias de Cerveja Caseira para Festas de Casamento  e ainda, Como sobreviver a Oktoberfest.  (risos)
(Nota da editora: Peço desculpas ao leitor, mas a próxima frase eu preferi não traduzi-la, porque achei que realmente ficaria mais divertido deixá-la em inglês mesmo).

The final chapter is a liver-exploding fantasy trip around the world.

O livro é uma longa jornada cervejeira e uma visita ao Brasil é obrigatória ao menos uma vez. Por isso, mencionei uma série de eventos brasileiros de cerveja que são boas opções para incluir nos roteiros de viagem.

Baseado nas cervejas brasileiras que você já degustou você acredita que o Brasil já tenha algo para caracterizá-lo como uma escola cervejeira? Um sabor ou ingrediente que nos identifique comparado com outros países cervejeiros?

Acredito que talvez seja um pouco cedo para dizer, mas uma coisa posso afirmar, o caráter brasileiro de vivacidade e criatividade está sendo refletido nas cervejas que eu já provei. Nos estágios iniciais da cerveja artesanal no Brasil, os cervejeiros buscavam cervejas de estilos germânicos, muitas vezes eram treinados por mestres cervejeiros alemães. Há alguns anos, a cerveja artesanal americana começou a mostrar-se como uma referência ao mercado brasileiro, sendo ainda até hoje, uma forte influência. Eu sempre peço aos cervejeiros que eu conheço para que sigam a sua própria visão e criem algo que pode não ser parecido com nada que já tenhamos visto por aqui. Penso que hoje nós já vemos alguns cervejeiros que seguiram esta ideia.

A Escola Americana tem o uso do lúpulo em suas cervejas como uma forte característica. Você pensa que isto está mudando ou que deveria mudar?
Na minha opinião, isto é apenas parcialmente verdadeiro. O lúpulo esta muito na moda agora, mas cervejeiros artesanais americanos fazem muitos outros tipos diferentes de cervejas e nem todas elas têm o lúpulo como o principal da receita.

O mercado Brasileiro de Cervejas está em franco crescimento, porém temos grandes problemas com impostos. No seu ponto de vista, o que poderíamos fazer para superar nossa principal dificuldade?
O Álcool é regulamentado e tributado em quase todo o mundo, o que por si só já é outra razão pela qual é um negócio desafiador. Em minha opinião, o sistema tributário brasileiro com base no custo de produção é profundamente injusto e desestimula os pequenos produtores, uma vez que dá as grandes cervejeiras uma grande vantagem competitiva. Ter uma garrafa de cerveja artesanal que custa cinco ou dez vezes o preço da cerveja comum no mercado de massa é no mínimo injusto.

Pequenas cervejarias criam muitos postos de trabalho, porque eles são pequenos e com menos equipamentos, ao contrário de uma grande fábrica de cerveja que tem apenas alguns rapazes sentados em uma sala de controle apertando botões. Se você olhar para o número de postos de trabalho por barril, você vai encontrar uma notável diferença entre grandes e pequenos fabricantes de cerveja.

Cervejarias artesanais revitalizam bairros, estimulam a cultura e gastronomia e apoiam as comunidades locais, ou seja, são recursos valiosos e importantes do ponto de vista empresarial. Nos EUA, os pequenos fabricantes de cerveja, na verdade, pagam menos impostos do que os grandes, e há um esforço adicional para que os micro fabricantes de cerveja não paguem nada ou quase nada, enquanto para os de porte médio, que paguem um pouco mais. Mas é claro, que as grandes marcas internacionais estão lutando contra, procurando tirar alguma vantagem para si próprios, ainda que eles não precisem de ajuda alguma do governo para terem sucesso.

Nos EUA, os entusiastas da cerveja estão organizados (acesse: supportyourlocalbrewery.org, um projeto do Brewers Association) e a organização tem sido muito bem sucedida na promoção da legislação para os apaixonados por cerveja. O que é mais uma razão para ter esses grupos bem organizados. Acredito que o Brasil está no bom caminho para isso também.

Cheers,
Fernanda.
*texto de tradução livre.

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24 agosto, 2015

Fernanda Meybom: Coluna 12 - La Soup Populaire: O requinte cultural e gastronômico no coração de Berlim


Portões de ferro enferrujados. No pátio, uma carcaça de um ônibus queimado. Ao fundo, uma edificação antiga com ares de construção industrial, paredes feitas com tijolos à vista nitidamente castigadas pela ação do tempo. Aparentemente deserto, porém com ambiente limpo e organizado. Ao abrir a antiga e pesada porta de metal, o grande ar de mistério que paira sobre este lugar faz com que tenhamos a sensação de que estamos entrando numa parte da história de Berlim. Estou em busca do La Soup Populaire, restaurante do Chef Tim Raue, duas estrelas Michelin.
 

Por volta de 1886 o local abrigava a maior cervejaria do norte da Alemanha, a Bötzow Brauerei. Havia ali também um famoso e bem frequentado Biergarten (ou bar/restaurante da cervejaria) com espaço para 6 mil pessoas, do qual Julius Bötzow, proprietário da cervejaria, orgulhava-se em ter entre seus costumeiros frequentadores a realeza alemã. Bötzow recebeu inclusive uma certificação da corte real pela excelente qualidade da sua cerveja.
A cervejaria viveu seus anos de glória até a Primeira Guerra Mundial, fase economicamente difícil mas sem interrupção de sua produção. O mesmo não ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial quando algumas partes da cervejaria foram destruídas, mesmo assim continuou produzindo até 1949. Desde então, o prédio abrigou mercados populares e logo após a queda do Muro de Berlim, em 1989, hospedou a primeira loja de produtos da Alemanha Ocidental. A partir de 2001 o local se tornou espaço cultural, com festas de música eletrônica, exposições de arte e cinema.
 

Neste contexto surgiu o La Soup Populaire, em 2013, com o conceito de combinar arte contemporânea com a mais fina arte culinária, sendo definido por especialistas internacionais como “Berlin’s most exciting food projects: fantastic architeture, world class art and best fine dinning restaurant” e um dos favoritos do Presidente Barack Obama em suas visitas a capital germânica.


O restaurante fica no Studio House da cervejaria, a única parte que foi completamente renovada. Para encontrá-lo, ao passar pela porta da antiga cervejaria, seguimos pelos seus históricos e bem preservados corredores e chegamos a um espaço com 10 metros de pé direito, que hospeda uma galeria de exposições de arte e um mezanino onde estão localizadas as mesas do restaurante com uma visão privilegiada de toda a galeria.
 

É impressionante como o elegante restaurante entra em simbiose com o ambiente industrial. Mobiliário vintage, configurações de mesa minimalista e iluminação quente que direciona o foco para as obras de artes expostas e, claro, para o que está sendo servido.
O menu, que vem num formato de livro antigo com uma linda capa de couro, faz parte deste conceito pois algumas das criações do estrelado Chef são inspiradas nas obras em exposição. Além do temporário, há ainda o menu padrão que valoriza pratos clássicos de Berlim, como a moderna versão do Königsberger Klopse: almôndegas com farofa de castanhas, purê de batatas com molho de queijo e lascas de beterraba.
Cada curso é servido em pratos de porcelana branca com design dos anos 30, produzidos pela Royal Porcelain Factory (KPM) da capital alemã. Cada detalhe, minimamente pensado, tem como objetivo valorizar a filosofia de Tim Raue a “people’s cuisine” que prioriza pratos descomplicados feitos com os melhores e mais frescos ingredientes.


O destaque das bebidas são os vinhos. Mesmo assim, há poucas porém boas opções de cervejas como: a tradicional Paulaner Weizen; duas opções da BRLO Craft Beer que representa a nova geração de cervejas alemãs: uma de estilo Hell e outra Pale Ale; além da Rothaus Tannenzäpfle Pils e de uma cerveja sem álcool, a König Pilsener Alkoholfrei.

Nossas escolhas no menu:

Couvert:
Pães, linguiças alemãs e conservas. Tudo preparado no próprio restaurante.

Entrada:
Gilthead – melon/coriander: Incrível a combinação de sabores deste prato, o filé de peixe com o doce do melão rosado e da lasca de coco, combinados com o tempero das folhas frescas do coentro. Inesperadamente Fantástico!
Harmonização:
Vinho Riesling Lotusblüte – Dreissigacker Rheinhessen.
Cerveja BRLO Craft Beer Pale Ale.

Pratos Principais:
- Königsberger Klopse: Um dos principais pratos da casa, este clássico de Berlim é muito bem executado, incrível textura da carne com castanhas e o delicioso purê de batatas. A beterraba equilibra com um sabor doce e picante ao mesmo tempo.
Harmonização:
Vinho Nelumbo – Markus Schneider.
Cerveja BRLO Craft Beer Pale Ale.

- Meat Loaf: filé ao molho de cogumelos com ervilhas e lascas de cenoura. Fantástico equilíbrio de sabores onde o destaque fica pelos cogumelos frescos e a carne no ponto certo. As ervilhas e a cenoura dão suavidade ao prato.
Harmonização:
Vinho Black Print - Markus Schneider.
Cerveja BRLO Craft Beer Pale Ale.

- Codfish - tarragon and cucumber. Incrível sabor do bacalhau fresco sendo o creme de pepino um belo coadjuvante. Fantástico!
Harmonização:
Vinho Riesling Lotusblüte – Dreissigacker Rheinhessen.
Cerveja BRLO Craft Beer Hell.

Sobremesas:
- Bee sting cake – apricot: Uma deliciosa calda de damasco com mini bolo, combinado com mini suspiros e a inesperada e deliciosa combinação de folhinhas frescas de manjericão. Impossível descrever o sabor delicioso desta sobremesa.
Harmonização Riesling Sekt – Dreissigacker Rheinhessen.

- Fürst pückler – strawberry and chocolate: Mini bolos com sorvete, trufas de chocolate e lascas de morango. Clássico e delicioso!
Harmonização Riesling Sekt – Dreissigacker Rheinhessen.

Junto à conta recebemos saborosas trufas de chocolate, fechando de maneira delicada e gentil uma magnífica refeição e um serviço impecável.
Com certeza, uma das melhores experiências gastronômicas da minha vida, fazendo com que Berlim esteja sempre em meu roteiro europeu de viagens.


Sobre as obras de arte e a inspiração do cardápio:
Bisky at Bötzow: Entitulado “Balagan”, Norbert Bisky mostra seu novo trabalho no Studio Bötzow. As obras foram elaboradas nos últimos meses em Tel Aviv e exclusivamente para esta exposição. Caos, transtorno, confusão, mas também festa, alegria e vivacidade: este é o significado de “Balagan” uma palavra de origem Persa.

Nota: As reservas precisam ser feitas com antecedência de 2 meses, dependendo da época do ano.

Serviço:
La Soup Populaire
Atelierhaus – Prenzlauer Allee, 242.
10405 Berlin
http://lasoupepopulaire.de/en/
*artigo originalmente publicado na Revista Spazio.

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22 junho, 2015

Fernanda Meybom: Coluna 11 – Lago Königssee: um paraíso nos alpes Bávaros, com cerveja!


Berchtesgadener Land é considerado um dos lugares mais lindos, não só da Alemanha, mas de toda a Europa e é nesta região que está localizado o lago Königssee. Sua cor verde-esmeralda é deslumbrante.


O lugar é de uma beleza estonteante, romântico e relaxante. É o lago mais limpo da Alemanha e tem qualidade de água potável.


O passeio começa como uma aula de geografia: o guia vai explicando cada detalhe do local, como o nome das principais montanhas, sua altura... além disso, desde 1909 os barcos de navegação do Königssee são acionados por motor elétrico, uma forma de preservar a tranquilidade e a limpeza do lago. É possível ver do barco, no alto de uma montanha de 1834m o Kehlsteinhaus - o Ninho da Águia, a casa de Adolf Hitler.


Uma curiosidade: o Eco do Königssee. O barco para em frente a um paredão, a parede do eco. Antigamente, o condutor do barco disparava um tiro com um morteiro manual cheio de pólvora e podia-se ouvir o eco até 7 vezes. Hoje, o condutor executa uma música em um trompete que se pode ouvir 2 vezes o eco.


O barco segue até uma pequena península onde está a famosa igreja de São Bartolomeu, construída em 1134. O passeio do lago Königssee até São Bartolomeu e regresso, leva em torno de 1h15min. O barco sai a cada 30 minutos do pequeno porto de Schönau am Königssee.


Na península de São Bartolomeu vale a pena ficar um pouco mais e desfrutar da natureza e apreciar os Alpes. Ali há restaurantes e lojas. Vale a pena almoçar e passear por lá.



Mas e afinal, onde está a cerveja neste texto?! Bom, no biergarten dos restaurantes é possível degustar as cervejas alemãs da região aproveitando a maravilhosa vista dos alpes da Baviera. Incrível!


Sobre o Ninho da águia:
Kehlsteinhaus, o “Ninho da Águia”, situado no alto do Kehlstein, a 1834m de altura. Esta construção desafiadora foi concluída em apenas 13 meses, e foi oferecida a Adolf Hitler por seu aniversário de 50 anos, por um de seus aliados, Martim Bormann.
Hitler adorava a casa por causa das vistas espetaculares dos Alpes.
Hoje, o “Ninho da Águia” é aberto ao público e pode ser visitado, inclusive algumas salas usadas por Hitler. No jardim de inverno, uma seleção de fotos tiradas durante a construção da casa e mais informações históricas. Atualmente a casa funciona como um restaurante.

Cheers!

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06 março, 2015

Fernanda Meybom: Coluna 10 – Entrevista com Randy Mosher - Parte 1


Design Gráfico, Cervejeiro Caseiro, Escritor, Professor... Com vocês: Randy Mosher! – Entrevista - Parte 1

Dentre todas as palavras que podem definir Randy Mosher, gostaria de acrescentar mais uma: simpatia! Novembro do ano passado estive em Chicago para fazer o curso de Mestre em Estilos do Siebel Institute of Technology e lá conheci o simpático Professor Randy. E uma de nossas conversas rendeu uma divertida entrevista que acabou dividida em duas partes – sim, o assunto rendeu.
Com vocês, Randy Mosher!

Como um Designer Gráfico se tornou também um Professor e Escritor de Cervejas?
Eu culpo a publicidade ou mais especificamente o meu trabalho nas agências de publicidade. Foi o inicio da minha carreira profissional. Eu tinha grande responsabilidade na área de projetos criativos e por este motivo, logo ocorreu a transição de Diretor de Arte para Diretor Criativo, um trabalho que envolve além de tudo, escrever bem. Também tive a sorte de ter uma ótima chefe, uma hábil escritora, mas que também era muito exigente e firme em suas críticas, sendo para mim, um grande aprendizado. Além disso, comecei a produzir cerveja caseira em 1985. A medida que ia criando receitas, eu comecei a montar um sistema para organiza-las utilizando planilhas e gráficos com dados para fácil acesso. Esse material estava começando a se transformar em uma boa pilha de informação, e em algum momento, ocorreu-me que poderia ser o começo de um livro.
Mais tarde, fui contatado por um homem chamado Charles Finkel, que na época não só comandava a mais importante empresa de importação de cerveja nos EUA, mas ele também tinha um negócio de fabricação de cerveja caseira, ele pensou que poderia ser interessante publicar meu livro, o Brewer´s  Companion (em 1991). Tinha (e ainda tenho) uma ótima amizade com ele e realmente devo-lhe muito, porque ele impulsionou o começo de minha carreira na área de publicação de cervejas e me apresentou a pessoas como Michael Jackson e Charlie Papazian. Mastering Homebrew foi construído nos moldes do Brewer´s Companion, embora seja um livro muito maior, totalmente moderno e que vai muito além do seu antecessor. Ainda assim, os leitores poderão reconhecer alguns dos gráficos e outros detalhes do primeiro livro.

Quantos livros você já publicou?
Contando os dois livros que estou lançando agora, 6 livros. (Disponíveis: Brewer’s Companion, Radical Brewing, Tasting Beer, Mastering Homebrewing e Beer for All Seasons.)


Você mesmo faz o design gráfico do seus livros?
Sim e não. Nos livros Brewer's Companion e Radical Brewing, sim. Com Tasting Beer e Mastering Homebrew, enviei aos editores vários gráficos, além de imagens de rótulos antigos e outras ilustrações e também fotos. Com Mastering (Homebrew), a editora gastou todo o seu orçamento de design antes mesmo de finalizar o livro, então eu tive a permissão para complementar esta parte, com a criação de mais de 250 novas fotos e outros elementos gráficos que deram ao livro muito mais vida. De agora em diante, farei o design completo de todos os meus livros.

Você esta lançando dois livros: Mastering Homebrew e Beer for All Seasons. Você pode falar um pouco sobre o Mastering Homebrew?
Mastering Homebrew é um guia geral para fabricar cervejas em pequena escala. Aqui estão algumas coisas que eu acredito que o fazem único:

- Ciência suficiente para garantir que as pessoas possam entender as razões por trás da produção de cerveja e o que é preciso para controlar seu processo de fabricação e consequentemente, para tomar decisões que coincidam com o que se tinha em mente antes de começa-la.

-
Grande enfoque sobre a matéria prima e a ciência por trás do sabor de cada destes ingredientes.

- Incentivo, desde o início, que as pessoas se envolvam desde a criação da receita, ao invés de depender de kits e outras facilidades. Mesmo uma receita nova exige que as pessoas façam escolhas de modo a cerveja final possa ser um produto diferenciado.

-
Um monte de gráficos inovadores que apresentam conceitos numa forma visual, o que consequentemente torna mais fácil para as pessoas entenderem melhor questões sobre processos cervejeiros do que simplesmente ler um parágrafo de texto.

- Citações de cervejeiros lendários que eu conheço, ao longo de todo o livro, compartilhando muitos detalhes sobre como eles pensam e o que sentem que é importante para este tema.
- Ferramentas para ajudar a desenvolver receitas, desde a geração de ideias até o gerenciamento da complexidade na combinação de ingredientes.
- Uma abordagem internacional inspirada nas minhas viagens ao redor do mundo, desde Itália, Escandinávia, Austrália, Argentina e claro, o Brasil.
- Uma abordagem altamente visual, que não só atrai o leitor pelas ilustrações, como também cria um tipo de aprendizagem diferente do usual.

Qual a principal motivação para escrever um livro para cervejeiros caseiros?

Inicialmente, era uma simples oportunidade. Eu havia sido abordado por várias editoras para escrever um livro sobre fabricação de cerveja caseira, portanto, após algum tempo analisando foi escolhido a que seria melhor para o tema em questão. Desta forma, o maior desafio de um livro com uma abordagem geral como esse (fabricação de cerveja caseira), é encontrar uma maneira de torná-lo realmente diferente de tudo que já foi publicado. Eu não queria escrever algo que parecesse com o Ray Daniels em Designing Great Beers ou com John Palmer em How to Brew ou ainda, qualquer um dos livros do Charlie (Papazian).  Assim, o livro realmente segue meu ponto de vista único e também oferece o que eu penso que os cervejeiros mais novos realmente querem: as ferramentas para ajudá-los a se expressarem através de receitas de cerveja. Vejo cerveja como uma fina arte e eu queria que as pessoas partilhassem esta visão. Eu penso que é algo que os fabricantes de cerveja industriais nunca serão capazes de entender ou muito menos seguir.

Qual seria seu primeiro conselho para um cervejeiro caseiro que almeja começar um negócio com cervejas?
Você deve sentir como se esta fosse a única coisa que poderia fazer na vida. Fabricação de cerveja é um negócio difícil, que requer muito trabalho e muitas habilidades diferentes, o que de certa forma, é o que me atrai. Porém, você tem que trabalhar muito duro para isso. As pessoas podem provar a sua cerveja, porque você é local, ou esperto, ou bom em mídias sociais, mas eles não vão continuar a comprá-la, a menos que seu produto também seja de altíssima qualidade. Isso é uma grande dificuldade para as pequenas cervejarias que não costumam ter dinheiro para laboratórios e outros programas de controle de qualidade ou para investimento técnico em profissionais, por isso, temos que observar obsessivamente boas práticas e continuar a investir o tanto quanto possível em qualidade.

E sobre cervejas brasileiras, alguma favorita?

Estive no Brasil uns dois anos atrás, por isso seria muito injusto com as cervejas das cervejarias mais recentes, que ainda eu não provei, nomear alguma aqui.  Essa tarefa eu vou deixar para depois do festival.

Em breve publico a segunda parte da entrevista.

Cheers,

Agenda do Randy no Brasil:
- Jurado do Concurso Brasileiro de Cervejas
- 2ª Edição do Concurso de Rótulos Randy Mosher
- Lançamento do livro Mastering Homebrew
*texto de tradução livre

31 dezembro, 2014

Fernanda Meybom: Coluna 08 - Bitter Sweet Cake (Receita de Bolo de Cerveja)


Minha história com as cervejas especiais começou de uma forma um pouco inusitada, eu diria. Não foi através de uma cerveja diferente em alguma viagem ou algo assim... Minha saída do mundo de Matrix aconteceu através de um bolo.


Isso mesmo, um bolo. Tipo bolo de aniversário. Salgado? Não. Doce. Não o tipo de doce como se fosse um bolo de brigadeiro, mas doce do tipo de um chocolate meio amargo. Contei mais sobre isso na Revista da Cerveja, veja aqui.

Enfim, minha vida etílica mudou literalmente depois da primeira fornada.

A primeira cerveja utilizada para fazer bolo foi a Guinness. Fiquei intrigada em saber que podia fazer uma sobremesa com cerveja. Fiz o bolo no mesmo dia que descobri a receita e o bolo também acabou no mesmo dia em que foi feito. Foi amor a primeira mordida!   


Confesso que num primeiro momento fiquei com um leve peso na consciência em colocar cerveja para fazer uma receita de bolo, tipo “cerveja é pra beber né?!”. Mas depois de degustar o resultado, eu vi que valia a pena.


E assim, comecei a estudar mais sobre cervejas e a fazer mais bolos de cerveja dos mais diversos tipos e estilos. 


Fui adaptando e criando novas receitas, pensando sempre na cerveja e no que poderia destacar seu sabor no bolo. (No meu instagram, @femeybom, tem fotos dos bolos com as cervejas que já fiz.)


E atendendo a pedidos, resolvi publicar uma de minhas receitas para deixar nossas festas de fim de ano repletas não só de boas cervejas mas também de bolos de cerveja.


Receita:

Ingredientes:
80g de cacau em pó
300g de açúcar mascavo
3 ovos
½ xíc. de óleo vegetal
3 xíc. de farinha de trigo 
4 colheres de chá de fermento em pó
1 xíc. de cerveja stout ou imperial stout

Modo de fazer (não precisa usar batedeira):
Misture o cacau em pó e o açúcar em uma tigela. Depois acrescente um ovo por vez e mexa a massa. Acrescente o óleo e mexa novamente. Misture o fermento com a farinha e depois vai acrescentado aos poucos na massa. Por último, coloque a cerveja. 

Pré-aqueça o forno a 180 – 200°C. Se for para cupcakes, deixar assando no forno por volta de 15 a 20 minutos. Se for bolo, leva de 30 a 40 minutos para assar.
Deixe esfriar e cubra com chantilly ou com cobertura de chocolate.

Dica: não utilizem restos de cerveja ou cerveja de má qualidade. O sucesso de sua receita também depende da qualidade dos ingredientes que utiliza.


Depois me contem como ficou! 
Boa sorte na receita e um Feliz Ano Novo! Ou melhor um Happy Hoppy New Year!!


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